dimanche, novembre 29, 2009

Saint Sebastian

Esse é um gato pesado
Sem a graça leve dos felinos
Suas patas no entanto
Tocam o chão sem ruído
Aprendeu com a prática
Do cuidado de não ser visto
A ter a lentidão dos anos
Para compensar seu peso
Soma pouco à inércia de seu corpo
E assim engendra
O silêncio da paciência.

É um gato triste
Sem a alegria comum dos bichos
Seu tempo no entanto
Passa calmo e sem sofrer
Encontrou o equilíbrio
Quando um dia não quis mais
Aprendeu a satisfação do nada
Que adormece a melancolia
Soma pouco à nudez de sua vida
E tem a paz
Da ausência de desejo.

É um gato generoso
Sem o egoísmo dos gatos
O seu prato no entanto
Está sempre cheio
Os humanos gostam dele
Porque nunca pede nada
Aprendeu a presença simples
Que encanta o seu dono
Soma pouco ao barulho do mundo
E assim recolhe
A gratidão da amizade.

Apenas gato
Sabe mais da morte
Do que padres e filósofos
Aguarda parado
Ou a passo lento
Nada querendo
Ou o menos que pode
O momento da escuridão
Soma pouco ao conflito dos seres
E assim aceita
A cessação de tudo.

posted by Andrei at 10:14 PM 0 comments

lundi, décembre 22, 2008

A heavenly way to die

Eu não podendo parar –
Cavalheiro, a Morte apeou –
A Carruagem a Nos embalar –
Morte, Imortalidade, Eu.

Troteando – sem pressa e
Eu já desistindo
Do Lazer como da Lida,
Pelo Seu Cavalheirismo –

Passando a Escola – Choro –
No Recreio – no Jardim –
Passamos Grama e Pasto –
Passamos o Sol se Pondo –

Não nós ao Sol – o Sol Nos passou –
Tremeu bem frio o Orvalho –
E eu sem Chambre, só Xale –
E meu Vestido – só Tule –

Paramos à frente da Casa
Que era uma Pilha no Chão –
Do antes Telhado só dava –
Para ver o Beiral –

Depois não vi mais Nada –
Cem Anos – que o Dia – mais curtos
Em que achei que os Cavalos
Rumavam para o Eterno –

My translation. Here goes the original, by Emily Dickinson:

Because I could not stop for Death —
He kindly stopped for me —
The Carriage held but just Ourselves —
And Immortality.

We slowly drove — He knew no haste
And I had put away
My labor and my leisure too,
For His Civility —

We passed the School, where Children strove
At Recess — in the Ring —
We passed the fields of Gazing Grain —
We passed the Setting Su n—

Or rather — He passed Us —
The Dews drew quivering and chill —
For only Gossamer, my Gown —
My Tippet — only Tulle —

We paused before a House that seemed
A Swelling of the Ground —
The Roof was scarcely visible —
The Cornice — in the Ground —

Since then — 'tis Centuries — and yet
Feels shorter than the Day
I first surmised the Horses' Heads
Were toward Eternity —

posted by Andrei at 2:53 AM 2 comments

Foi atrás da hera
Trepadeira de verão

Ah, velha lagoa
E o sapo que pula
Plof n'água

Ao morder o peru
Igreja Missa do Galo
Santo Antônio

Chove chove chove
No fim do trapiche
Há só dois pescadores

Lama tão amarela
Glicínia tão cor de Fuji
Será a luz ou Pantone

Borboleta bem burra
Não fica assim parada
Vem o gato e te pega

Mary Quant depois cai
O chão todo rosado
Maria-sem-vergonha

O bando passou gritando
E ela foi com eles
Minha caturrita

Arabescos no céu
Marrecos selvagens
Recanto de Portugal

Caiu a ponte e ficamos
Duas semanas comendo
Leite condensado

A gente ouviu no rádio
A nova do Kid Abelha
Roubaram a bicicleta

Depois da trovoada
Olhamos na valeta
Os lambaris pequenos

E mesmo com Laranjal
Tem quem venha e diga
Aquilo não era infância

Para minha amiga Assamambaya Bishô

Libellés : parodies

posted by Andrei at 1:42 AM 0 comments

vendredi, décembre 05, 2008

Hang the blessed DJ
(Jazz Classics revisited)

I really don't know which version of the song below, composed by George Gershwin, with lyrics by Ira Gershwin, I prefer.

It was written for the musical Girl Crazy (1930) and introduced in the original production by Ginger Rogers.

According to Wikipedia, it is also featured in the 1979 Woody Allen movie Manhattan, the 1989 Rob Reiner movie When Harry Met Sally... and in the 1994 Mike Newell film Four Weddings and a Funeral.

Among my favorite versions are the ones sung by Chris Connor, Elvis Costello, Doris Day, Chet Baker, Sylvia Telles, Ella Fitzgerald and Nara Leão (who sings, of course, a different Portuguese version).

Não me enrola, ó céu fingido,
Não cumprindo o prometido.
Tu pára, ou te parto a cara!

Marta Medeiros, não me diz:
“Só querer pra ser feliz”
(bobinha, é o fim da linha).

Nunca mais quero ouvir
Dessas alegres Polianas
Que dizem, vindo: “O amor é lindo!” –
São umas bananas.

Estão tendo amor e orgasmos –
Só eu que não,
Ouvindo Roberto e Erasmos –
Só eu que não.

Enquanto apaixonada,
Meti-me em mais furada
Do que num filme estrada
Em alemão.

Fui burra de cair,
Ficar assim.
Ó vida, raios duplos,
E ai de mim!

Ainda assim não esqueço
Do beijo do começo,
Mas não mereço, não...

English lyrics:

Old man sunshine, listen you
Don't you tell me dreams come true
Just try it, and I'll start a riot

Beatrice Fairfax, don't you dare
Ever tell me he will care
I'm certain, it's the final curtain

I never wanna hear
From any cheerful Pollyannas
Who tell you Fate
Supplies a mate
It's all bananas!

They're writing songs of love
But not for me
A lucky star's above
But not for me

With love to lead the way
I found more clouds of gray
Than any Broadway play
Could guarantee

I was a fool to fall
And get that way
Hi-ho, alas
And also, lack-a-day

But still I can't dismiss
The memory of his kiss
I guess he's not for me

(My parody)

Libellés : Jazz classics revisited, parodies

posted by Andrei at 8:08 PM 2 comments

vendredi, novembre 07, 2008

Tombée pour la France

Alex, in his blog this week, has said a couple of very wise things about love. They reminded me of an Aragon poem, set to music by Georges Brassens, and sung by, among others, Françoise Hardy and Nina Simone. I've decided to have a go at translating it:

Nada é certo Nem nossa força
Nem nossa fraqueza e nem o coração
Se abrimos os braços a sombra é escuridão
E se abraçamos algo lhe vem destruição
A vida é uma estranha e dolorosa forca
É que não há amor feliz

A vida se parece a soldado desarmado
Para outro destino de manhã vestido
De que lhe serve estar desadormecido
Se quando anoitece é incerto e perdido
Diz isso Minha vida E sofre calado
É que não há amor feliz

Tu meu caro belo amor minha ferida
Eu te trago em mim pássaro morrendo
E essa gente não sabe e a passar nos vendo
Repete as palavras que eu estava tecendo
E que por teus olhos morreram em seguida
É que não há amor feliz

Quando enfim se aprende a viver já é tarde
Choram juntos o meu e o teu coração
Como é preciso sofrer pela menor canção
E como custa caro o som de um violão
E como dói o corpo se depois já não arde
É que não há amor feliz

Para a Zezinha

Libellés : hyposerotonitis

posted by Andrei at 9:46 PM 0 comments

jeudi, mai 22, 2008

Resultados

Amanhece o dia
E penso em ti
Louça na pia
E penso em ti

Eu te quero tanto
É como perder a cabeça

Manhã termina
E penso em ti
Fim da faxina
Eu penso em ti

Saberão os amigos
Que estou perdendo a cabeça?

E toda a tarde limpando cada peça
Quando penso na minha perda
Fico parada segurando a cabeça
Sem ir à direita nem à esquerda

A luz apagada
E eu penso em ti
Fico acordada
Pensando em ti

Tu disseste me amar, ou foi só gentileza?
Ou estou perdendo a cabeça?

posted by Andrei at 11:13 PM 2 comments

samedi, mai 03, 2008

HALF A PERSON

Uma cançãozinha do último disco da primeira dama da França...

Se fosse no outono que vinhas,
Eu espantava o verão como
Meio sorrindo e desdenhando
A dona-de-casa faz à mosca.

Se fosse em um ano que vinhas,
Eu fazia os meses novelos,
Punha em gavetas com naftalinas
Até o tempo de vê-los.

Se apenas séculos atrasado,
Contava-os eu com minha mão,
Subtraindo até que dedos gelados
Caíssem no Japão.

Se ao fim desta de agora fora certa,
A próxima como minha e tua,
Deitava a vida fora como casca,
Para provar a nossa enfim eterna.

Mas agora, espera ignorada,
O tempo, com a asa incerta
Espeta-me, abelha encantada,
Não diz quão longa a ferroada.

Poema original de Emily Dickinson. Minha tradução.

posted by Andrei at 8:38 PM 1 comments

vendredi, décembre 21, 2007

don't be afraid you just call me

(From an idea by China Forbes)

Ô Júlio, tu lembras de mim?
Tu dançou comigo sem parar
As duas vezes que tocou Pink Martini
Sexta naquela festa
Que teve na Oswaldo
Naquela festa que teu amigo emo
Chamou o Hugo sem parar no banheiro
Depois desmaiou
Tu nem tinha bebido, e disse que eu
Dançava jazz tri bem
Melhor que o pessoal do Bom Fim

Ô Júlio
Ô Júlio
Ô Júlio
Tô aqui, alô
Ô Júlio
Tutaí, ô Júlio?

Ô Júlio, daí a gente ficou
Tu botou teu amigo emo no elevador e
Anotou meu nome num guardanapinho
Daqueles que encharcam
E o carro enguiçou
E depois que a gente já tinha ficado bastante
A gente viu que teu amigo emo já tinha ido
Há horas
E tu olhou meus olhos vermelhos
E perguntou "Se eu te ligasse domingo ..."
Se era muito cedo
Ô Júlio

Ô Júlio
Ô Júlio
Tô aqui, alô
Ô Júlio
Tutaí, ô Júlio?

Tá, mas tu te lembra de mim?
Ô Júlio?

(My parody. I do have a friend named Júlio, but he's only a friend. His name just sounded like Eugene.)

Libellés : parodies

posted by Andrei at 10:52 PM 0 comments

Qui êtes-vous ?

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Nom : Andrei Cunha
Lieu : Porto Alegre, RS, Brazil

Andrei Cunha is a translator and teacher of Japanese, French and English as foreign languages at Unisinos, in São Leopoldo. He is currently studying Japanese literature and translation at the Federal University of Rio Grande do Sul.

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