Saint Sebastian
Sem a graça leve dos felinos
Suas patas no entanto
Tocam o chão sem ruído
Aprendeu com a prática
Do cuidado de não ser visto
A ter a lentidão dos anos
Para compensar seu peso
Soma pouco à inércia de seu corpo
E assim engendra
O silêncio da paciência.
É um gato triste
Sem a alegria comum dos bichos
Seu tempo no entanto
Passa calmo e sem sofrer
Encontrou o equilíbrio
Quando um dia não quis mais
Aprendeu a satisfação do nada
Que adormece a melancolia
Soma pouco à nudez de sua vida
E tem a paz
Da ausência de desejo.
É um gato generoso
Sem o egoísmo dos gatos
O seu prato no entanto
Está sempre cheio
Os humanos gostam dele
Porque nunca pede nada
Aprendeu a presença simples
Que encanta o seu dono
Soma pouco ao barulho do mundo
E assim recolhe
A gratidão da amizade.
Apenas gato
Sabe mais da morte
Do que padres e filósofos
Aguarda parado
Ou a passo lento
Nada querendo
Ou o menos que pode
O momento da escuridão
Soma pouco ao conflito dos seres
E assim aceita
A cessação de tudo.



